0%

Gigacast #03: A Cultura do Terror nos Livros e no Cinema (Parte I)


E os podcasts GIGACAST #3 e #4 estão horripilantemente saborosos, trazendo um combo temático cheio de Terror e Horror! Gravamos um podcast realmente GIGA, em duas edições, trazendo tudo sobre a cultura do medo, desde a literatura antiga e o terror gótico, passando pelos filmes clássicos, pelos games e pelas nossas próprias experiências horripilantes.

Uma linha do tempo completa, estudando a “linhagem” do terror e do horror através dos séculos, com muitas dicas e conteúdo!

Gigacast #03
A Cultura do Terror nos Livros e no Cinema

Terror, horror, macabro, sobrenatural; todos os nomes culminam em uma única vertente dos sentimentos humanos, adotado com carinho pela cultura pop: o medo.

Apesar disso, engana-se quem pensa que os tão famigerados filmes ou contos de terror resumem-se apenas do susto, ao grotesco, ao bizarro. O terror também aborda a crítica cultural e social, além de alertar a humanidade para perigos futuros, permeados pela violência, pelo descontrole social e abuso da tecnologia.

O horror do macabro e do sobrenatural sem dúvida é o mais frequente. Porém temos também o terror psicológico, a ficção científica, os thrillers e outras vertentes muito importantes ligadas ao gênero.

E hoje vamos abordar tudo isso e muito mais nesta macabra edição do Gigacast número 3!

A diferença entre Terror e Horror

Apesar de muitos não saberem, Terror e Horror são gêneros diferentes, reunidos pelo sentimento de medo.

O Terror é o gênero ligado ao suspense da vida real, sem apelar para explicações sobrenaturais. É formado por uma atmosfera opressora e uma situação catastrófica ou criminosa, como no caso das histórias de serial killers.

Já o Horror apela para eventos sem explicações lógicas, utilizando o folclore, a crença, superpoderes, com zumbis, vampiros, fantasmas e outros seres fictícios. Em geral, no Horror a aventura é baseada na necessidade de escapar da morte.

Na Literatura

A literatura é a base de todas as mídias modernas, incluindo o tão essencial cinema, provavelmente a principal plataforma do terror e horror modernos que, mesmo assim, muito depende da sua forma escrita: o roteiro.

E a literatura nos trouxe alguns dos nomes mais importantes da história do gênero do horror: Edgar Allan Poe, Bram Stoker, Mary Shelley datam dos anos 1800 e inspiram outros gênios do horror moderno, como Stephen King, H.P. Lovecaft e Anne Rice.

Apesar de encontrarmos frequentemente influências do horror em autores ainda mais antigos, como na obra Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe, ou até mesmo no antigo teatro grego, podemos considerar que o terror e o horror nasceram como gêneros exclusivos na literatura à partir da vida e obra de Edgar Allan Poe.

Na verdade, apesar dessas histórias terem origens bem anteriores à literatura, ainda ligadas ao folclore antigo, as primeiras obras do gênero surgiram durante o Século XVIII, e ficaram conhecidas pelo gênero Terror Gótico. E é importante saber que, apesar de muito criticadas à época, ganharam muita força por terem se tornado extremamente populares.

Podemos dar como exemplo, ainda clássico, o livro “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, lançado em 1898, que ganhou notoriedade depois de ser recitado numa rádio em 1938, pelo jovem Orson Welles, e causar medo em seus ouvintes. Posteriormente, a história serviu de base para muitas produções cinematográficas do mesmo gênero, incluindo dois filmes específicos.

No Cinema

Zumbis, palhaços, computadores e robôs revoltados, espíritos zombeteiros e muitos outros elementos permeiam as obras cinematográficas ligadas aos gêneros do terror e horror, não apenas com o intuito de assustar, mas também como críticas à sociedade.

É importante saber que o primeiro filme de terror surgiu em 1896, na França, chamado “Le Manoir Du Diable” (A Mansão do Diabo), com apenas dois minutos, mas já trazendo elementos bem conhecidos como vampiros, morcegos, um castelo medieval, um caldeirão, um demônio, esqueletos, fantasmas e bruxas.

Este ano (2017) perdemos um dos maiores expoentes do horror nos cinemas, o cineasta George Romero, criador dos filmes de zumbis modernos, que receberam o tradicional estilo morto-vivo, com muito gore, membros dilacerados, além do perfil popular dos lentos e bizarros comedores de cérebro.

Anos 60

Os anos 60 fundamentaram a base do terror na indústria dos filmes. Obras espetaculares como “O Bebê de Rosemary”, “Psicose”, “A Noite dos Mortos-Vivos”, “2001: Uma Odisséia no Espaço”, nos remetem a gênios como Roman Polanski, Alfred Hitchcock, George Romero e Stanley Kubrick.

Anos 70

Já os anos 70 viram o gênero crescer e começar a se popularizar nos cinemas de todo o mundo, com títulos como “O Exorcista”, “Carrie, a Estranha”, “Tubarão”, “Halloween”, “O Massacre da Serra Elétrica”, “Alien, o Oitavo Passageiro”, entre outros. O terror se torna mais acessível com a popularização dos cinemas por todo o mundo.

Anos 80

Os anos 80 realmente viram o terror se expandir massivamente na cultura popular com a chegada do VHS, as fitas e seu aparelho, conhecido como videocassete. Filmes como Poltergeist, de Steven Spielberg, e O Iluminado, de Stanley Kubrick, são dois exemplos de obras que vão além do medo e trazem críticas extremamente profundas.

Poltergeist critica fortemente os próprios anos 80, uma geração que nosso Raul Seixas resumiu claramente ao chamar de “Carruagem sem condutor”. Em Poltergeist vemos uma típica família da geração yuppie americana, onde tudo é lindo, tudo é perfeito, e a vida é totalmente ligada ao status e à imagem própria. Os pais ignoram os filhos e vivem suas vidas perfeitas, até que um espírito invade a casa e começa a mexer com seus habitantes. No início, tudo é engraçado para eles, até que as coisas saem de controle…

Outros exemplos de filmes importantes da época são: “A Hora do Pesadelo”, “Brinquedo Assassino”, “Sexta-feira 13”, “Cemitério Maldito”, “A Mosca”, “A Coisa” além de suas inúmeras continuações.

Os anos 90 e 2.000

Desde os famosos filmes “Pânico”, “A Bruxa de Blair”, “Se7en” e o “Silêncio dos Inocentes” os anos 90 e 2.000 foram povoados por grandes thrillers, suspenses e ficções científicas, tanto dos cinemas, nas TVs e também dos novíssimos seriados temáticos.

Outra vertente foi a continuação e os remakes de séries e filmes, que dominaram os anos 2000. Grandes nomes do terror como o seriado de 1959 “The Twilight Zone” (Além da Imaginação) ganharam diversas versões modernizadas, bem como o filme “O Exorcista”, “Cemitério Maldito” e até o clássico “Psicose”.

Vertentes mais modernas, como apresentadas em “O Sexto Sentido”, “O Enigma do Horizonte” e “Entrevista com o Vampiro” transportaram o terror de um mundo ainda bastante medieval para versões mais modernas e até futuristas. Mesmo obras como “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça” ou “Os Outros”, que se passam em tempos antigos, trazem a escola moderna do cinema em seu estilo.

 

O terror contemporâneo no cinema

Nos dias de hoje é óbvia a influência dos seriados nos gêneros de terror e horror. Atualmente vemos grandes terrores científicos e psicológicos – como Black Mirror – e até o terror nostálgico – Stranger Things – voltarem ao topo da cadeia de consumo de plataformas como a Netflix, HBO e as TVs à cabo.

Porém o cinema continua em franca produção, com alguns títulos recebendo bons reviews e trazendo muitas críticas, assim como aconteceu durante os anos 80. Títulos como “Unfriended” (Amizade Desfeita), “It Follows” (Corrente do Mal) e a série “Black Mirror” trazem à tona grandes questões sobre a vida moderna, como a privacidade, as redes sociais, o bullying, o sexo descompromissado, a tecnologia desenfreada e muito mais.

Além disso, grandes reedições de clássicos da cultura do terror, como o recentemente lançado “It: A Coisa”, e as ficções científicas e steampunks com um pezinho no bizarro, como “Blade Runner 2049”, estão encorpando o cinema de suspense e terror modernos.

Greg: A Bruxa de Blair, Jogos Mortais (1 – e o 2 talvez?)
Eilor: “The Ring” (O Chamado), “It” (A Coisa), “Babadook”, “Unfriended” (Amizade Desfeita), “As Above so Below” (Assim na Terra como no Inferno), “It Follows” (Corrente do Mal).

 

SHARE
Confira mais atrações!
Tocar Capa
Participantes